Corrupção: Flávio, Valdemar, Sóstenes e Eduardo Cunha podem ter passaportes apreendidos por risco de fuga.
PN - O deputado federal Reimont (PT-RJ) anunciou que protocolará nesta semana, junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), um pedido de apreensão e retenção dos passaportes do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, do líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha.
Em vídeo publicado nas redes sociais na noite deste domingo (12), Reimont afirmou que reforçará um pedido anterior contra Flávio e acrescentará os outros três nomes diante das revelações sobre um esquema de controle clandestino de emendas parlamentares.
“É alarmante ver o que a extrema direita tem feito, o que os deputados, deputadas e lideranças do PL têm feito. Portanto, esta semana, de maneira justificada, com argumentos robustos, eu vou pedir à PGR, mais uma vez, a apreensão, a retenção do passaporte do Flávio Bolsonaro”, declarou.
“Mas eu vou, neste meu pedido, acrescentar mais três nomes: o nome do Sóstenes Cavalcante, o nome do Valdemar Costa Neto e o nome do Eduardo Cunha”, prosseguiu.
O petista justificou a medida afirmando que existe risco de os envolvidos deixarem o Brasil.
“Vocês estão vendo aí as bandalhas crescentes desse pessoal. Existe a possibilidade de eles sumirem do país a qualquer momento”, disse Reimont, que pediu ainda que seus seguidores enviem outros nomes, desde que acompanhados de justificativas e argumentos.
“Tem que ter justificativa e tem que ter argumento, fazer uma coisa séria. Vai ser esta semana”, concluiu.
A representação à PGR, por si só, não resulta automaticamente na retenção dos documentos. Caberá ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, avaliar se existem fundamentos para encaminhar uma solicitação ao Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por decidir sobre uma eventual medida cautelar.
O anúncio de Reimont ocorre após a Polícia Federal (PF) apontar que Valdemar Costa Neto, mesmo sem exercer mandato parlamentar, teria comandado a destinação de 21 emendas que somam cerca de R$ 119 milhões.
Sóstenes teria atuado como “laranja”
Sóstenes Cavalcante aparece na investigação como um dos parlamentares que teriam dado forma oficial a emendas controladas nos bastidores por Valdemar.
Segundo a apuração da PF revelada pela Fórum, Sóstenes, Luiz Carlos Motta e Capitão Alden teriam figurado formalmente como autores de indicações que, na prática, eram atribuídas ao presidente nacional do PL.
Os investigadores passaram a tratar os deputados como possíveis “laranjas” de Valdemar no esquema. Isso não significa necessariamente que eles tenham recebido os recursos, mas indica a suspeita de que seus mandatos tenham sido utilizados para encobrir a participação de uma pessoa sem mandato na destinação do dinheiro.
Sóstenes, como líder do PL na Câmara, ocupava uma posição estratégica para encaminhar as indicações e permitir que elas fossem registradas oficialmente em nome da bancada ou de parlamentares.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiu à investigação criticando Flávio Dino. O ministro, por sua vez, deu prazo para que Motta explique os procedimentos adotados pela Casa na indicação e na execução das emendas sob suspeita.
Eduardo Cunha controlava emendas mesmo cassado
Outro núcleo da investigação envolve Eduardo Cunha, que teve o mandato cassado em 2016, mas teria continuado a interferir na distribuição de recursos do Orçamento federal por meio de funcionários e contatos mantidos na Câmara.
A PF identificou ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde, no valor total de R$ 6,15 milhões, que teriam sido direcionadas por Cunha. O ex-deputado teria escolhido municípios e entidades beneficiadas, solicitado mudanças e acompanhado a liberação das verbas.
Dino determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de Cunha e suspendeu a execução das emendas investigadas.
Mensagens obtidas na apuração indicam que uma assessora teria afirmado possuir aval da Presidência da Câmara para operacionalizar as indicações vinculadas ao ex-deputado. A investigação busca identificar quem, dentro da estrutura da Casa, sabia da interferência de Cunha e permitia que suas ordens fossem executadas.
Cunha nega irregularidades. Ele afirma que não era o autor formal das emendas, não recebeu os recursos e apenas apresentava demandas de municípios a parlamentares com mandato.
Embora Valdemar e Cunha apareçam em núcleos distintos, a investigação revela um método semelhante: políticos sem mandato teriam mantido poder sobre milhões de reais do Orçamento, utilizando deputados, assessores e estruturas das comissões da Câmara para transformar suas decisões em indicações oficiais.
O esquema permitia que os verdadeiros padrinhos dos recursos permanecessem ocultos, dificultando a fiscalização, a responsabilização política e o acompanhamento do destino final do dinheiro.
A apuração também aumenta a pressão sobre a presidência da Câmara, que terá de explicar como pessoas sem mandato conseguiram interferir na distribuição de verbas públicas e até que ponto integrantes da estrutura administrativa e política da Casa tinham conhecimento das operações.
Planetário Notícias
Fonte: Revista Forum
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