PN - Ministro afirma que senador operou loteamento de contratos e fechou UTIs na pandemia; defesa do parlamentar silencia.
O ministro Alexandre Padilha afirmou que o senador Flávio Bolsonaro operou como um “poderoso chefão” na estrutura dos hospitais federais do Rio de Janeiro ao longo do governo de Jair Bolsonaro.
A denúncia foi oficializada durante uma agenda institucional na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). De acordo com o ministro, o esquema garantia ao parlamentar o controle sobre indicações de diretores, fechamento de contratos terceirizados e a administração direta do orçamento das unidades.
O sistema de saúde fluminense é historicamente capturado por lógicas de apadrinhamento político. A acusação contra o núcleo familiar do ex-presidente expõe uma engrenagem onde o Estado atua como garantidor de lucros privados e expansão de capital político.
O controle sobre os hospitais federais do Rio de Janeiro não se restringe à gestão médica, mas representa o domínio sobre a distribuição de recursos públicos em licitações de insumos, limpeza, segurança e manutenção.
A transformação de leitos públicos em moeda de troca evidencia a face material do patrimonialismo. Quando representantes do Legislativo interferem na estrutura administrativa de hospitais, a necessidade epidemiológica da população trabalhadora é substituída pelos interesses de grupos econômicos locais.
Esse aparelhamento cria um ambiente fértil para a precarização intencional do Sistema Único de Saúde (SUS) e favorece o avanço velado da privatização por dentro da máquina estatal.
Mortes Evitáveis e o Fechamento de UTIs na Pandemia
O ponto mais grave do pronunciamento aponta para a atuação do senador no auge da crise de covid-19. O fechamento de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) sob suposta ordem política caracteriza uma política de restrição deliberada de acesso à saúde. Durante o período de maior letalidade do vírus, o estrangulamento da capacidade de internação no Brasil determinou o colapso sanitário nas áreas mais vulneráveis.
A instrumentalização dos recursos hospitalares seguiu um padrão claro de controle territorial e econômico. A ingerência sobre essas estruturas federais geralmente é mapeada em três frentes de atuação fisiológica:
Nomeação de Diretorias: Substituição de quadros técnicos e concursados por aliados estratégicos visando a blindagem de processos internos.
Captura de Licitações: Direcionamento de contratos emergenciais de fornecimento hospitalar e terceirização sem o rigor competitivo adequado.
Contenção de Leitos: Bloqueio ou liberação de vagas de alta complexidade condicionados aos arranjos de poder da base aliada.
O Mapa do Orçamento Federal Fluminense
A relevância da acusação torna-se evidente ao observar o tamanho do complexo hospitalar gerido pela União no estado. A hegemonia sobre essa rede equivale à administração do orçamento de cidades inteiras, tornando as unidades alvos constantes de barganha partidária.
Planetário Notícias
Por: JR Vital e Juliana Martins
Fonte: Diário Carioca
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