CORRUPÇÃO: Bolsonarista Claudio Castro é alvo da PF em operação que apreendeu R$ 500 Mil em caixas de sapato

 PN - Policial civil Maxwell Moraes tinha meio milhão em espécie guardado em casa; ex-governador Cláudio Castro e dono da Refit também são alvos da operação.

A Polícia Federal entrou na casa do policial civil Maxwell Moraes Fernandes nesta sexta-feira (15) e encontrou uma cena que parece roteiro de série: R$ 500 mil em dinheiro vivo, empilhados dentro de caixas de sapato.

Uma delas trazia a inscrição irônica: “O que é bom a gente guarda”.

Maxwell é um dos alvos da Operação Sem Refino, que mira o esquema de sonegação fiscal da Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos — considerada um dos maiores devedores de impostos do Brasil.

Ter dinheiro em casa não é crime. Mas não explicar de onde veio é.

O cerco da PF: 17 mandados e R$ 52 bilhões bloqueados

A operação deflagrada pela manhã cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete afastamentos de cargos públicos no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou as medidas e determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos financeiros do grupo Refit, além da suspensão de suas atividades econômicas.

Entre os alvos estão nomes pesados:

Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio

Ricardo Magro, dono da Refit

Guaracy Viana, desembargador afastado

Renan Saad, ex-procurador do estado

Juliano Pasqual, ex-secretário da Fazenda do RJ

A lista expõe a engrenagem de poder que sustentou, segundo a PF, o maior esquema de sonegação tributária já documentado no país.

Cláudio Castro na mira: o incentivo fiscal sob suspeita

A PF cumpriu mandado na casa de Cláudio Castro, em condomínio de luxo na Barra da Tijuca. A defesa do ex-governador diz que foi “surpreendida” e que ele está “à disposição da Justiça”.

A suspeita central: em 2023, ainda como governador, Castro concedeu incentivo fiscal à Refit para ampliar o mercado de óleo diesel da empresa — justamente quando a refinaria já acumulava bilhões em dívidas tributárias.

A defesa de Castro rebate. Segundo nota divulgada, a gestão teria sido a única a obter pagamentos da Refit ao estado, num total próximo a R$ 1 bilhão.

Mas a PF vê outro cenário: favorecimento ilegal disfarçado de política pública.

Ricardo Magro na lista vermelha da Interpol

O empresário Ricardo Magro, dono da Refit, teve o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol por ordem de Moraes.

Isso significa que ele agora é procurado internacionalmente em 196 países. Se o pedido da PF for aceito pela Interpol, Magro poderá ser preso em qualquer território que integre a rede policial global.

Magro já tinha sido alvo de megaoperação em novembro de 2024. Desde então, movimenta bilhões em processos judiciais e administrativos, enquanto a Refit tenta se manter operacional.

A teia de sonegação: como funcionava o esquema

Segundo a PF, a Refit simulava importações de óleo bruto de petróleo para obter benefícios fiscais, mas na prática teria declarado falsamente a natureza dos produtos para reduzir impostos.

A empresa nega. Em nota, afirma que “jamais falsificou declarações fiscais” e que laudos técnicos comprovam a regularidade das importações.

A Refit também acusa um cartel de três grandes empresas de combustíveis — já condenadas pelo CADE — de perseguição comercial.

Mas os números falam alto: R$ 52 bilhões bloqueados não são bloqueados sem indícios robustos.

O que está em jogo

R$ 500 mil em espécie apreendidos na casa de policial civil

17 mandados de busca e apreensão cumpridos

R$ 52 bilhões em ativos financeiros bloqueados do grupo Refit

7 afastamentos de cargos públicos determinados

Ricardo Magro incluído na lista vermelha da Interpol

Cláudio Castro investigado por suposto favorecimento ilegal.

A decisão veio da ADPF das Favelas.

Detalhe curioso: a decisão de Moraes foi tomada dentro da ADPF das Favelas, ajuizada em 2019 pelo PSB no STF para questionar a violência policial em operações nas comunidades do Rio.

A conexão? Segundo a PF, há suspeitas de que a Refit forneceu combustível para organizações criminosas no Rio — o que a empresa nega categoricamente.

A Refit afirma que, ao contrário, foi denunciante de postos ligados ao PCC, incluindo a Copape, formuladora fechada em 2024.

O que vem agora

Maxwell Moraes terá que explicar a origem do dinheiro. Se não conseguir, responde por lavagem de dinheiro ou enriquecimento ilícito.

Cláudio Castro enfrenta pressão dupla: judicial e política. A investigação pode inviabilizar qualquer retorno ao poder no Rio.

Ricardo Magro joga contra o tempo. Se a Interpol aceitar o pedido da PF, sua margem de manobra some.

E a Refit? Com R$ 52 bilhões bloqueados e atividades suspensas, a sobrevivência da empresa depende de reviravolta judicial.

O esquema está desmoronando. E as caixas de sapato entregaram mais do que dinheiro — entregaram o jogo.


Planetário Notícias 

Por: JR Vital

Fonte: Diário Carioca 



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