As refinarias privatizadas por Bolsonaro vendem diesel até 76% mais caro que a Petrobras.

 PN - Privatiza que melhora. O golpe está aí, achar que privatizar melhora.

No Amazonas, preço praticado é de R$ 6,45; na Bahia, R$ 6,00; Petrobras cobra R$ 3,65 pelo diesel.

Entre 27 de fevereiro e 31 de março, período marcado pela escalada da guerra no Irã e pela disparada do petróleo no mercado internacional, refinarias privatizadas no governo Jair Bolsonaro (PL) elevaram o preço do diesel muito acima da Petrobras.

A Refinaria da Amazônia (Ream), no Amazonas, elevou o preço do diesel para R$ 6,45, um aumento de 71% em relação ao preço praticado anteriormente, chegando a um valor 76% superior ao ofertado pela Petrobras atualmente. No mesmo intervalo, a estatal passou a vender o diesel por R$ 3,65, um reajuste de 12% em relação a fevereiro.

Já a Refinaria de Mataripe, Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, passou a cobrar R$ 6,00, equivalente a um reajuste de 83% em relação ao preço de fevereiro e 64% acima do praticado pela estatal. Os dados foram levantados pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), com base em informações das próprias empresas.

A guerra começou em 28 de fevereiro, com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao país persa, e impactou o mercado global de energia. Ao longo de março, o barril de petróleo saiu da faixa dos US$ 70 para mais de US$ 100, com picos próximos de US$ 120, em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz e a ataques a instalações energéticas no Oriente Médio.

Diante da disparada do diesel no mercado internacional, o governo federal propôs um subsídio de R$ 1,20 por litro para o combustível importado até o fim de maio, com custo dividido entre União e estados. A medida, que deve ser formalizada por medida provisória, já teve adesão sinalizada por ao menos 20 estados, entre eles Bahia, Amazonas, Acre, Rio Grande do Norte e Tocantins.

Para o economista Eric Gil Dantas, pesquisador do Ibeps, a alta dos preços nas refinarias privatizadas não é um efeito isolado da guerra, mas o resultado de uma escolha de política econômica feita nos últimos anos. Segundo ele, a venda de ativos da Petrobras foi sustentada pelo argumento de que a entrada de novos agentes aumentaria a concorrência e ajudaria a reduzir os preços dos combustíveis. Na prática, porém, isso não aconteceu.

O economista avalia que, como o refino no Brasil foi estruturado historicamente para abastecer mercados regionais, a privatização criou monopólios privados em vez de concorrência. Nesse cenário, empresas como Mataripe e Ream passaram a seguir o preço de paridade de importação (PPI), que vincula os combustíveis vendidos no país diretamente às cotações internacionais do petróleo, ao dólar e aos custos de importação, como transporte e seguro.

Os efeitos aparecem também no preço final pago pelo consumidor. Os cinco estados com a gasolina mais cara, de acordo com a base reunida para a reportagem, são:

Bahia: R$ 8,18

Acre: R$ 8,18

Tocantins: R$ 7,82

Roraima: R$ 7,81

Paraná: R$ 7,69

Privatizações e monopólios regionais

A antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), hoje Mataripe, foi vendida em 2021 à Acelen, controlada pelo fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos. Desde então, a unidade passou a ser criticada pelos preços mais altos praticados no estado. A refinaria é apontada como monopolista regional, sobretudo no diesel. “No caso de Mataripe, ela é hoje um monopólio no diesel. É o único ofertante de diesel da Bahia. Então os baianos não têm alternativa a ela”, explica Dantas.

No Amazonas, a Ream também já vinha sendo alvo de críticas por preços elevados. Como mostrou o Brasil de Fato, a refinaria privatizada passou a operar com forte dependência de importações e é questionada por ter reduzido sua atividade de refino, o que agravou a vulnerabilidade regional diante de choques externos. “Ela parou inclusive de refinar. Era mais lucrativo transformar a refinaria em uma base de importação”, afirma o economista.

Para Dantas, a atual crise internacional apenas tornou mais visível uma distorção antiga. Em vez de ampliar a concorrência, a venda de refinarias criou mercados regionais concentrados, em que empresas privadas conseguem repassar ao consumidor, com mais intensidade, a alta do petróleo no exterior.

“A única concorrência possível seria a importação, mas essas empresas já operam com essa lógica. Então, quando o preço internacional sobe, elas repassam, porque não têm disputa real nesses mercados”, assinala.


Planetário Notícias 

Por: Rodrigo Chagas

Fonte: BdF


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