Efeito Lula: O presidente Lula quer retomar refinaria baiana e criar reserva de combustíveis

 PN - Governo investe R$ 9 bilhões na Regap e planeja estoque regulador para blindar o mercado interno contra crises no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo.

O governo federal define os eixos de uma estratégia para retomar o papel do Estado no setor de energia e proteger o consumidor brasileiro da instabilidade geopolítica global.

 Em visita à Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG), na última sexta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou investimentos bilionários e reafirmou a intenção de recomprar ativos estratégicos, com destaque para a Refinaria de Mataripe, na Bahia.

 A venda da antiga RLAM para o fundo Mubadala em 2021, por US$ 1,65 bilhão, é apontada pelo governo como um marco do desmonte da soberania energética. Durante o evento em Minas Gerais, Lula foi enfático ao prever a reversão desse processo, afirmando que, embora possa demandar tempo, o Estado irá recomprar a unidade baiana.

 Essa intenção já havia sido formalizada em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em agosto de 2024, quando a Petrobras confirmou a realização de um processo de investigação aprofundada, análise e auditoria para uma possível aquisição, condicionada a avaliações econômicas e ritos de governança.

O retorno ao refino baiano

Para o ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, essa privatização fragmentou a capacidade de resposta estatal. Em entrevista ao canal Tutaméia na semana retrasada (13), ele pontuou que a perda da unidade baiana retirou do país o poder de amortecer as variações de preços no mercado interno, criando um ambiente propício para abusos econômicos e especulação: “A venda de Mataripe agravou a perda de capacidade de regulação de preços em mercados regionais. A privatização da refinaria de Matarip […] levou a essa situação. Quer dizer, você perdeu a capacidade de amortecer as variações de preços no mercado baiano”, afirmou Gabrielli.

A recomposição do parque de refino também se justifica sob o peso de investigações da Polícia Federal, que apuram se a venda de Mataripe foi facilitada por crimes de peculato e lavagem de dinheiro. O ativo foi entregue ao fundo dos Emirados Árabes por cerca de metade do valor de mercado, e a PF investiga se o recebimento de joias de luxo e diamantes por Jair Bolsonaro e sua comitiva funcionou como uma propina indireta pelo negócio vantajoso. 

Regap: R$ 9 bilhões e combustíveis do futuro

Enquanto negocia o retorno à Bahia, o governo transforma a Regap em vitrine de expansão e transição ecológica. 

O Plano de Negócios 2026-2030 prevê aportes que podem chegar a R$ 9 bilhões em uma década, visando elevar a produção dos atuais 166 mil para 240 mil barris por dia em cinco anos. 

O projeto inclui a fabricação de combustíveis do futuro, como o Sustentável de Aviação (SAF) e o Diesel R Renovável (biocombustível), além da instalação da primeira usina fotovoltaica em uma refinaria da companhia, capaz de reduzir em 20% o gasto energético da planta. 

Para o ministro Alexandre Silveira, as iniciativas “fortalecem a capacidade de produção de combustíveis da refinaria, além de promover a transição energética e gerar empregos”, afirmou.

Escudo contra o Estreito de Ormuz

A urgência em ampliar o refino ganha contornos estratégicos diante da crise no Oriente Médio e do risco de bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, um gargalo vital para o petróleo mundial. 

Para blindar o abastecimento, Lula defendeu a criação de um estoque regulador público, comparando a necessidade de reservas de combustível ao “escudo” das reservas internacionais de dólar. 

Atualmente, o Brasil opera com níveis operacionais mínimos, o que amplia a vulnerabilidade diante da dependência de importações de diesel e gás de cozinha. Para enfrentar esse cenário, o governo articula ferramentas que incluem a criação de uma sala de situação no Ministério de Minas e Energia, a fiscalização de estoques obrigatórios pelas distribuidoras, o uso seletivo de tributos e a ampliação de biocombustíveis.

 A estratégia marca uma mudança de paradigma, abandonando a lógica de mercado estrito em favor de uma política de segurança energética onde a Petrobras e o Estado retomam o centro do tabuleiro.

Planetário Notícias 

Por: Davi Molinari

Fonte: Portal Vermelho


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