PN - No último domingo, dia 1⁰ de fevereiro o Fantástico, programa da TV Globo apresentou uma reportagem sobre o caso do cachorro Orelha vergonhosa, só faltou que proteger os culpados pela tortura e morte do cachorro.
Desde o dia 4 de janeiro, a morte violenta do cachorro Orelha ganha espaço no debate público do país. Além do tema dos direitos dos animais, o episódio deu origem a discussões sobre a responsabilização de crianças e adolescentes, já que os acusados são adolescentes de famílias de classe média de Santa Catarina.
O episódio pode representar um marco nas discussões sobre o tema, na avaliação do educador popular e comunicador Jota Marques, convidado desta terça-feira (3) no podcast BdF Entrevista, do Brasil de Fato.
“A gente precisa ter uma conversa, que o caso Orelha como símbolo nos pede urgentemente. O que a gente espera de um sistema penitenciário? O que a gente espera de um sistema socioeducativo? O que a gente espera de livros de leis? Que tipo de punições a gente concorda que haja?”, indagou.
“As pessoas têm pedido que não sejam impostas só medidas socioeducativas para esses adolescentes, que eles sejam punidos no rigor da lei como adultos. Mas será que esses adolescentes que estão envolvidos no caso Orelha, eles vão receber alguma medida socioeducativa ou alguma medida penal? Será que na nossa conversa anterior aqui, aquilo que falamos de uma rede de privilégios, de uma rede de poder, não vai blindar esses adolescentes independentemente das leis que forem desenvolvidas?”
O educador avalia que a proteção animal é um tema que mobiliza muito a sociedade brasileira. Apesar de haver um histórico relevante de crimes contra animais, ele acredita que os animais, especialmente domésticos, são alvo de proteção no país.
“O Orelha representa para mim a ruptura de um pacto civilizatório que estava colocado, que não significa que as pessoas são boas ou são más. O debate não pode caminhar por este lugar. Mas havia um acordo coletivo, e a morte dele provoca esse chacoalhão social. A comunidade grita e o resto da sociedade, com um efeito catártico, vai também assumindo essa voz”, resumiu.
Ex-conselheiro tutelar, Jota Marques defende que os adolescentes acusados de terem cometido o crime devem ser protegidos de acordo com o que a legislação brasileira prevê. Porém, afirma que o caso mostra um sistema que age a partir da lógica do privilégio.
“E evidente, e creio que toda a sociedade tem percebido isso, que a depender da sua classe social, do sobrenome que você carrega, do advogado que você tem, da sua rede de poder colocada, você pode influenciar a narrativa e a responsabilidade”, afirmou. “Nós temos leis para todo tipo de coisa no Brasil, mas isso não é o suficiente para que a justiça seja feita”.
O comunicador cita uma espécie de ‘melindre coletivo’ quando o assunto é tratado pelas pessoas responsáveis pelas investigações. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê que as identidades dos acusados sejam preservadas, mas, nesse caso, isso tem se estendido também às famílias deles.
“Os sobrenomes desses garotos, as famílias desses jovens, onde eles estão socialmente colocados no sentido de classe social, econômica, tem criado, sim, uma barreira de proteção para que a denúncia e a investigação sejam mais lentas. A gente precisa confrontar de novo a sociedade e se olhar no espelho: se é sobre endurecer o sistema ou se é sobre fazer uma disputa de como o sistema age e se transforma a depender de contra quem ele está agindo”, apontou.
Quando o caso é comparado com outros, que envolvem famílias pobres e negras, a diferença fica evidente. Jota Marques citou a chacina do Morro do Alemão em outubro de 2025, a mais violenta e mortal da história do Brasil.
“Foram usadas as imagens dessas pessoas negras mortas, das famílias negras em cima dos corpos dos seus parentes”, relatou. “Existe uma narrativa sendo construída pela rede de poder constituída por classe, por raça, por poder econômico, por sobrenome, que protege a narrativa, que faz com que a narrativa vá sendo amortecida”.
Fonte: BdF
Editado por: Luís Indriunas
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