Criolo une rap, jazz e raízes em novo disco

 PN - Há encontros artísticos que desafiam a lógica comercial e obedecem apenas à gravidade dos afetos. É nesse espaço de convergência não planejada que nasce “Criolo, Amaro & Dino”, álbum colaborativo que chegou às plataformas no último dia 15 de janeiro.

O projeto une três potências da música: o rapper e cantor paulistano Criolo, o pianista de jazz pernambucano Amaro Freitas e o cantor luso-cabo-verdiano Dino d’Santiago. O trabalho, que soa como uma correção de rota em tempos de algoritmos previsíveis, não foi desenhado em salas de reunião, mas surgiu de instantes de comunhão entre amigos nos horários possíveis.

Criolo concedeu entrevista à Billboard Brasil e falou sobre a alegria de celebrar a amizade com seus parceiros, as inspirações do disco e da vida e bastidores do àlbum. A conversa completa estará disponível em vídeo no canal do YouTube, em breve.

A gênese do disco remonta a uma sessão despretensiosa no estúdio Toca do Dragão, em Portugal, onde a intenção original era gravar vozes guias para um projeto de samba. No entanto, a presença dos três músicos no mesmo ambiente catalisou algo maior.

Ali nasceu a faixa “Esperança”, um rap que mudou o curso de tudo e acabou indicado ao Latin Grammy. Sobre a atmosfera que permeou as gravações, Criolo reflete com profundidade:

“A necessidade do encontro não era construir um disco, era se sentir bem. E isso é raro: ter algumas horas de paz e comunhão com pessoas especiais cruzando o seu destino.”

Para o artista paulistano, a conexão com seus parceiros vai muito além da técnica. Ele descreve Amaro Freitas como uma “antena cósmica” capaz de decodificar o amor em suas teclas, enquanto enxerga em Dino d’Santiago uma das vozes mais lindas que já ouviu, carregada de uma beleza que transcende o estudo formal. 

Segundo Criolo, “o Dino é uma pessoa que luta por igualdade, pelas questões dos direitos civis. Aonde ele vai, ele é este ser que divide suas energias”. Essa admiração mútua serviu de argamassa para um repertório que transita entre o rap, o jazz, a morna, o funaná e a MPB.

O processo de criação foi itinerante e absorveu as energias de cada local. Após o início em Lisboa, o projeto viajou para o Recife, onde a faixa “Anoitecer” ganhou corpo com as bênçãos do Mestre Maciel Salú e a participação de jovens músicos locais.

 No Rio de Janeiro, a colaboração se expandiu com a captação de voz feita por Pedrinho, baterista do Planet Hemp. O disco ainda conta com a participação do coletivo As Clarianas na faixa “Você Não Me Quis”, evocando heranças ancestrais brasileiras. “As coisas foram pegando energia do lugar, energia das pessoas e o álbum foi acontecendo desse jeito”, explica o rapper.

Musicalmente, o álbum propõe uma “reconstrução diaspórica”. Faixas como “Seka” trazem o pulso cabo-verdiano, enquanto “Amazônia” desenha uma levada jazzy sobre a qual Criolo versa sobre a urgência climática e a indignação seletiva global. O artista vê nesse trabalho uma carta aberta ao mundo, mostrando que a produção contemporânea de jovens pretos e periféricos, seja no Brasil ou no universo dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), é arte de vanguarda global.

“O Brasil é uma janela de sol para o planeta escuridão.”

Com essa frase, Criolo enfatiza que a quebrada e as periferias são centros de inovação estética e cultural, citando fenômenos como o Podpah e a revolução na moda periférica como exemplos dessa força criativa. 

A capa do disco também merece destaque, fruto de uma promessa feita há quase duas décadas. A imagem, assinada pelo renomado artista plástico Vik Muniz, nasceu de uma memória de 16 anos atrás, quando Criolo estava sentado ao lado de Seu Jorge em um encontro na casa de Caetano Veloso. Na época, Vik passou, fez uma foto dos dois e prometeu que um dia faria uma capa para o rapper. A história foi resgatada graças à paixão de Dino d’Santiago pelas artes plásticas, fechando um ciclo de generosidade e memória.

Apesar de navegar por diferentes mares sonoros neste projeto, Criolo faz questão de reafirmar sua bússola moral e estética: o rap.

Ele conta que o estilo de vida do hip hop entrou em sua vida entre 1986 e 1988 e foi a ferramenta que lhe permitiu descrever, pela primeira vez, a rotina de sua família, a escola e a rua. É uma gratidão que ele carrega de forma intransigente.

Reportagem completa AQUI.

Créditos Billboard


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