PN - CIA e Agência Antidrogas norte-americana sabem que a principal rota do tráfico é pelo Pacífico, e não pelo Mar do Caribe, onde posicionam tropas para ameaçar venezuelanos. Não é novidade que os Estados Unidos atuaram diversas vezes para derrubar governos da América Latina, bem como em outras partes do mundo.
Foi assim no Chile de Salvador Allende, com as sucessivas tentativas de tirar Fidel Castro do comando de Cuba, no apoio ao golpe que derrubou João Goulart e instaurou a ditadura militar no Brasil, na desestabilização do governo reformista de Jacobo Árbenz Guzmán na Guatemala, entre tantas outras situações.
O novo episódio, autorizado pelo governo de Donald Trump, agora mira a Venezuela, sob a falsa justificativa de interromper o tráfico de drogas. A ação liderada pela CIA (em português Agência Central de Inteligência) e o Departamento de Defesa, com sede no Pentágono, já matou 27 pessoas (sem provas de envolvimento com cartéis) ao bombardear embarcações no mar do Caribe. Um verdadeiro crime internacional, pois as Forças Armadas só poderiam atacar em legítima defesa.
A polêmica ação precipitou o pedido de demissão do Almirante Alvin Holsey, do Comando Sul, que deixa o cargo no final do ano após divergências sobre os ataques e centralização das decisões por Trump. Mas a insatisfação não veio somente de Holsey.
Outras lideranças militares e da diplomacia estadunidense estão em desacordo com a conduta adotada pelo presidente de seu país.
A situação no Caribe é agravada pela presença de navios e aviões de guerra dos EUA na região desde meados de agosto. Cerca de 10 mil soldados norte-americanos estão posicionados em embarcações e bases em Trinidad e Tobago e Porto Rico (território sob o domínio dos EUA).
A construção dessa narrativa de guerra às drogas, no entanto, esconde outros motivos, revela o jornalista Jamil Chade. Em sua coluna no Uol, ele aponta que os argumentos do governo Trump não se sustentam, uma vez que relatórios da própria CIA e da Agência Antidrogas (DEA) não citam a Venezuela como ponto de atenção. A principal indicação feita é de que a cocaína que chega aos EUA tem proveniência da Colômbia.
Para completar, a rota de tráfico central da América do Sul aos Estados Unidos não é pelo Mar do Caribe, mas sim pelo Oceano Pacífico. Os dados são referendados pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), com sede em Viena (Áustria).
Ou seja, as ações visam desestabilizar o governo do presidente Nicolás Maduro e substituí-lo, ao pressionar a cúpula militar venezuelana.
Como aponta o jornalista, o governo dos EUA tem conhecimento de todas essas informações e trabalha a partir delas, tanto é que concentra suas operações de combate ao tráfico marítimo na costa do Oceano Pacífico da América Latina.
Assim, a justificativa criada para atacar a Venezuela não se sustenta, mas é ela que será usada para, eventualmente, fazer ataques aéreos no país.
Um dos indicativos é que militares bolivarianos de alta patente poderiam estar ligados ao tráfico e, ao terem a fonte de recursos ilegais barrada pelos EUA, poderiam romper com o governo Maduro. Isto é, Trump busca o apoio de certos grupos militares para atingir seus interesses — situação levantada pelo jornalista com base em interlocuções diplomáticas.
A pergunta que fica é: se realmente existem esses generais, em um possível golpe, Trump assumiria a tutela deles, aprofundando a farsa de sua invasão?
O interesse do presidente norte-americano na Venezuela não é de agora. Desde seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, ele tenta emplacar um golpe no país. Naquela ocasião, o fantoche utilizado foi Juan Guaidó, autoproclamado presidente, com apoio dos EUA.
Fronteira com o Brasil
Brasil e Venezuela compartilham uma fronteira de 2.199 km de extensão. Portanto, o avanço dos EUA no país vizinho preocupa. O assessor especial do presidente Lula para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, classificou como “inconcebível” qualquer ataque militar ou operação secreta de espionagem destinada a derrubar um governo.
Espera-se que, em um encontro entre Lula e Trump, o brasileiro leve a preocupação sobre um ataque no continente. Durante um ato político na abertura do 16º Congresso Nacional do PCdoB, o presidente defendeu a soberania do povo venezuelano: “nenhum presidente de outro país que tem de dar palpite”.
Verdadeiro interesse
As décadas passam, mas o verdadeiro interesse norte-americano continua o mesmo: o petróleo.
Em resposta ao governo dos EUA, que afirmou que o país caribenho estaria disposto a um acordo diplomático envolvendo participação na sua indústria petrolífera, a Chancelaria da República Bolivariana da Venezuela comunicou que as declarações de Trump “buscam legitimar uma operação de mudança de regime com o objetivo final de se apropriar dos recursos petrolíferos venezuelanos”.
Com informações Portal Vermelho
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