PN - (Billboard) Karla Sofía Gascón, a protagonista do filme “Emilia Pérez“, tem sido criticada após a repercussão de algumas falas e publicações polêmicas. Com isso, o nome da atriz espanhola está em evidência, mas de forma negativa, em meio à corrida do Oscar.
Ela é a primeira atriz transexual a ser indicada à premiação. O filme musical, dirigido pelo francês Jacques Audiard, e o principal adversário da produção brasileira “Ainda Estou Aqui”, estrelado por Fernanda Torres.
O longa, que também conta com Selena Gomez, concorre nas categorias melhor filme e filme internacional. Além disso, Karla está disputando com Fernanda pelo prêmio de melhor atriz.
No dia 21 de janeiro, foi publicada uma entrevista em que Karla Sofía Gascón pediu ajuda à protagonista de “Ainda Estou Aqui” para conter a onda ódio que ela estava sofrendo nas redes sociais. “Fernanda, por favor, um abraço. Te amo muito. Me ajuda com essa galera”, disse ela ao “G1”.
Mais tarde, Fernanda elogiou a espanhola e repudiou a rivalidade. “Não vamos tratar ninguém mal e criar uma coisa que é um contra o outro, pelo amor de Deus. Eu sou para sempre grata a Sofía Gascón. Ela está maravilhosa em ‘Emilia Pérez'”, falou a brasileira nas redes sociais.
Em uma nova entrevista, falas de Karla aumentaram a polêmica. “O que eu não gosto é que exista uma equipe de redes sociais que trabalha ao redor de todas essas pessoas tentando diminuir o trabalho de outras pessoas, como o meu, ou o do filme, porque isso não leva a lugar nenhum”, falou Karla Sofía Gascón.
Na última quinta-feira (30), a atriz pediu desculpas, mas a situação continuou a se complicar. “Sou uma grande fã de Fernanda Torres e foi maravilhoso conhecê-la nos últimos meses.
Em meus comentários recentes, eu estava me referindo à toxicidade e ao discurso de ódio violento nas mídias sociais, que infelizmente continuo a vivenciar”, disse ela a “Variety”.
“Fernanda tem sido uma aliada maravilhosa, e ninguém diretamente ligado a ela foi nada além de solidário e extremamente generoso.”
Alguns posts feitos por Sofía Gascón entre 2020 e 2021, com mensagens racistas e xenofóbicas, foram resgatados pela jornalista canadense Sarah Hagi.
“Sinto muito, é apenas minha impressão ou há mais muçulmanos na Espanha? Cada vez que vou buscar minha filha na escola, há mais mulheres com os cabelos cobertos e as saias até os calcanhares. No próximo ano, em vez de inglês, teremos que ensinar árabe”, publicou a atriz em 2020.
“Eu realmente acho que muito poucas pessoas se importaram com George Floyd, um bandido viciado em drogas, mas sua morte serviu para demonstrar mais uma vez que há pessoas que ainda consideram os negros como macacos sem direitos e consideram os policiais como assassinos.”
“Cada vez mais o Oscar parece uma cerimônia de filmes independentes e de protesto, não sabia se estava assistindo a um festival afro-coreano, a uma manifestação do Black Lives Matter [movimento antirracista] ou ao 8M [movimento feminista]”, escreveu ela no mesmo ano.
Com a repercussão das publicações, a espanhola se desculpou novamente. “Quero reconhecer a conversa em torno de minhas postagens anteriores nas redes sociais que causaram dor”, começou o relato.
“Como alguém de uma comunidade marginalizada, conheço muito bem esse sofrimento e lamento profundamente aos que causei dor. Toda a minha vida eu tenho lutado por um mundo melhor. Acredito que a luz sempre triunfará sobre as trevas.”
A “Variety” publicou um artigo falando sobre a polêmica. “Poucas horas atrás, “Emilia Pérez” era um favorito ao Oscar, com 13 indicações e o apoio do maior serviço de streaming do mundo. Agora, é um alerta sobre os perigos de construir uma narrativa calorosa e confusa em torno de uma realidade que é muito mais complicada.”
Segundo a revista, essa movimentação pode afetar o resultado do Oscar, que acontece no dia 2 de março.
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