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domingo, novembro 26, 2006

Crônicas & Críticas

O Serginho Groismann tem em suas mãos os dois programas mais legais da televisão brasileira, o Altas Horas e o Ação. O Altas Horas da semana passada eu acabei não assistindo, pois tinha prova muito cedo no domingo pela manhã. Mas, babei quando soube que foi o aniversário do programa com mulheres maravilhosas como atração. Gostaria de ter assistido o dueto com Dona Ivone Lara e Maria Rita. Assisti ao Ação no sábado pela manhã com uma matéria maravilhosa sobre a adoção de crianças com o ator Marcelo Antony. Gosto de música.

Tinha um amigo pagodeiro com quem eu subia o morro da Mangueira, Portela, Vidigal em busca de rodas de samba. Era um tempo mais tranqüilo apesar de não fazer tanto tempo assim, mas vinte anos fizeram um estrago na vida urbana do Rio de Janeiro. Este meu amigo tinha contatos no morro e a galera deixava a gente subir não importava que horas a gente chegava. Já ouvi muito samba espremida em barracos de sambistas onde a música rolava até tarde, depois íamos para as biroscas do morro tomar uma cerveja e fechar a noite.

Fui educada para ter muitos amigos, os mais diversos possíveis. Já vi muita gente entrando em roubada por superproteção ou por cegueira da família em negar que o mundo existe fora dos limites de nossas casas de classe média falsamente protegida dos perigos da vida. Acampei as margens do rio na Maromba em Mauá, chegávamos na cidade com nossas mochilas de manhã bem cedo ou pela madrugada. Esperávamos o dia nascer na varanda da casa da Sofia ou da Dona Maria para montar nossas barracas, dormíamos ouvindo o barulho do rio, namorávamos sob um céu apinhado de estrelas.

O ônibus só ia até Maringá, fazíamos a pé a trilha até a Maromba, quando tinha lua cheia seu brilho é que nos guiava, quando não tinha lua eram as estrelas, quando chovia seguíamos nossa memória com o caminho gravado de cor de tantas as vezes que o percorríamos no ano. O café era na casa de Dona Maria, o grande lance era acordar bem cedo e sair para subir até o Vale do Pavão. Contávamos histórias enrolados em cobertor sentados em frente das barracas, tocávamos violão, fazíamos planos de mudar o mundo, de curtir a vida, de sermos os mais sinceros com nossas propostas de vida. Por isto muitas vezes as discussões desta net que fala sobre o BBB me parecem coisas pequenas, miúdas e mesquinhas.

Não falo de vocês que vem aqui todos os dias em busca de informação, não falo dos leitores dos blogs que querem um pouco de diversão e bom papo, com certeza não falo dos amigos que vêm ler o que eu escrevo, deixar uma mensagem, apoiar ou discordar do que eu penso. Falo da responsabilidade que nós temos ao manter uma página na net. A obrigação de sermos mais do que somos, de superar nossas dificuldades para mostrar às pessoas que o mundo é bem melhor e muito mais complexo do que ele parece a princípio. E, principalmente, mais lindo. Esta sempre foi a minha proposta, talvez por este motivo tenha relutado tanto em ir às vias de fato com alguém neste mundo blogueiro.

Tenho tantas lembranças boas de minha vida. Tanta coisa para contar a vocês sobre uma Susan que muitos conhecem, mas que pouco partilhei aqui na net. Aos poucos, vou dividindo com os amigos virtuais os sonhos que já tive em minha vida, as viagens que já fiz, as pessoas que conheci, as ousadias que pratiquei, a beleza que sempre busquei e a minha recusa em ser uma pessoa menor, tacanha, presa em esquemas que um dia alguém imaginou para o mundo.

Existe uma frase do Jonh Lennon que diz que a vida é apenas alguma coisa que passa enquanto você está ocupado fazendo planos. Pois é, não basta somente fazer planos é preciso ter sonhos. Não realizei tudo o que eu sonhei, mas fui buscar na vida a inspiração necessária para entender que é preciso viver, ter sentimentos profundos dentro da gente, ter a capacidade de chorar de alegria, de se entristecer, de gargalhar, de amar e odiar com a mesma intensidade. Este é o norte de minha vida, talvez se eu conseguir que vocês entendam uma pequena parte do que eu sou, vocês compreenderão do que eu sou capaz de fazer e, principalmente, de não fazer nesta minha vida virtual. Saudações!

2 comentários:

Hilda disse...

Susan, você ainda não teve tempo, ou talvez vontade, ou quem sabe, coragem em se expor e contar todas as experiências que já viveu e tudo que aprendeu delas, mas para mim, sempre se revela uma mulher autêntica, inteligente e sensível, um ser humano lindo.

Porém como ninguém é perfeito, a Susan é eleitora do Lula, pra minha tristeza! rs, rs, rs...

Smacks, smack

Águas da Vida disse...

Susan realmente o importante acima de tudo é buscar a felicidade nas simples e pequenas coisas da vida, os planos muitas vezes nao se consegue viver...
Big Kiss