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quarta-feira, novembro 01, 2006

Crônicas & Críticas

Cafajestes e bonzinhos
Nunca vi frase mais repetida e cansativa do que "mulher só gosta de homem cafajeste". Geralmente ouço isso de homens que não tiveram sucesso na conquista de algumas. Acho que é hora de desvendar aqui alguns mistérios a respeito da alma humana, ou simplesmente das diferenças entre os sexos masculino e feminino.

Em primeiro lugar, os homens de quem eu ouvi comentários semelhantes se diziam "bonzinhos". Isso quer dizer, na linguagem deles, que eles são bons partidos, são rapazes bem intencionados, "para namorar". Na minha visão, são caras de uma carência insuportável, grudentos, capachos, sem um pingo de personalidade própria. Daqueles que ficam olhando pra sua cara, salivando, parecendo cachorro tarado quando agarra a sua perna. Você olha pra eles e está piscando na testa: "Você tem que me amar!", "Você tem que me amar!".

E tem mais uma: geralmente esses exemplares de grude ambulante vão atrás das mulheres mais ordinárias, complicadas, desprezíveis. Aí tomam um previsto chute na bunda e aparecem com essa. Também vejo várias mulheres se metendo com caras que não valem uma moeda de dez centavos, e depois dizem pra todo mundo que "homem é tudo igual". Não é verdade! Elas que sempre escolhem os mesmos tipos.

Mas também é fato que os caras cafajestes são verdadeiros pára-raios de mulher, mesmo que eles sejam feios, gordos, ensebados, burros e afins. Basta desprezar uma mulher, que ela corre atrás dele feito cachorrinho. Esta é uma verdade, na mesma proporção de que homens só gostam de mulher burra que fala com dedinho no canto da boca.

Um dia perguntei para meu ex-terapeuta qual o motivo disso. Além, é óbvio, da falta de noção da mulherada, que se acha tanto que chega a acreditar que aquele galinha, aquele canalha mulherengo convicto vai ser diferente com ela. É só ela insistir um pouquinho e se mostrar pra ele como a "pessoa que irá guiá-lo pelos caminhos do verdadeiro amor".

A resposta dele foi esta: além do desafio, o cafajeste é um conquistador. Ele não está preocupado em ser ele mesmo. Ele quer ser conquistador. Portanto, ele tem sempre a personalidade e as atitudes de quem está preocupado em encantar o outro. A razão dele existir é cativar a mulher. Dizer o que ela quer ouvir, agir como ela gostaria que ele agisse. Enfim, estar com o cafajeste é como estar eternamente com as emoções do primeiro encontro.

E a mulherada, tadinha, acredita que este é ele, de fato. Ela não enfrenta o fato de que a personalidade dele é outra, e está escondida debaixo daquele personagem que o cafajeste criou. Ela o transforma em príncipe encantado. E, quando ele a despreza, ela não admite. Até pouco tempo ele a tratava como princesa... como pode ter mudado tanto? Ah, o orgulho ferido!

Na verdade, é a união da fome com a vontade de comer: o cara que quer conquistar com a mulher que quer ser conquistada.

Há uma amiga minha - uma sábia amiga - que diz preferir os cafajestes. Porque, segundo ela, quando não se tem a pretensão de mudá-los ou tentar descobrir um príncipe encantado por trás deles, são perfeitos para viver bons momentos. E nada mais, que isso fique bem claro. Mas é preciso a plena consciência de que se trata de um cafa, e não de um potencial namorado.

Só se decepciona com um cafajeste quem quer, ela diz.

E vamos acabar com essa história de homem "bonzinho". Parece até que temos duas opções: ou um canalha ou um cachorro lambão que você manda sentar, deitar, rolar, fingir de morto e ir buscar o jornal. Há um meio termo aí que pode ser perfeitamente explorado. O difícil é achar um exemplar, é verdade. Geralmente os caras legais de verdade já estão todos em uso. Pelas outras.

2 comentários:

Águas da Vida disse...

Verdade, os bons homens estao todos ocupados, por que sera? rss
Adorei Red's.
Big Kiss

BNÊ disse...

Ninguém nasce, faz cursos ou algo assim pra ser galinha ou melhor, mulherengo. Chegam a isso justamente através das mulheres que conhecem, seja por terem sido educados demais ou canalhas de menos. Infelizmente, nesse interim conhecem mulheres decentes as quais ele já não sabe distinguílas, só conseguindo quando amadurecem.
Falo por experiência e a explicação é longa demais. Nestes novos tempos a história é diferente, desde jovens, homens e mulheres tem essa meta.