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domingo, outubro 22, 2006

Crônicas & Críticas

DIREITOS E DEVERES
Talvez nem todos assistam à novela Páginas da Vida. Vamos então esquecer que esta é uma situação de novela. O grande barato dos dramas do Manoel Carlos é que suas polêmicas são casos que podem acontecer a qualquer pessoa, em qualquer lugar e a qualquer momento. Lógico que são situações não corriqueiras, mas se parecem bastante com tantas histórias que a gente já viveu ou já escutou de algum amigo ou conhecido.

Uma mãe jovem e solteira, um rapaz que não assume a gravidez da namorada e cai fora da relação, uma morte inesperada, dois órfãos, uma com Síndrome de Down, uma avó egoísta que dá a neta em adoção por sua condição especial, uma mãe adotiva afetuosa, um pai que retorna reclamando seus direitos. Estes são os ingredientes da história que se desenrola na novela dos oito da Rede Globo de Televisão. Estaria o Leo correto ao reclamar depois de tantos anos a guarda dos filhos que ele sequer reconheceu quando ainda estavam na barriga da mãe? Que direitos tem um pai que renega seus filhos? O que seria mais prejudicial às crianças? Desconhecer a presença do pai ou quebrar laços afetivos com avós e mãe adotiva?

A Lei pode garantir ao Leo o direito do pátrio poder, mas situações que envolvem sentimentos nem sempre podem ser pensadas tão friamente. Se Marta errou ao entregar Clara para Helena adotar, por outro lado se ela tivesse mantido a neta com ela dificilmente a criança teria o amor, o carinho e as oportunidades de desenvolvimento que a mãe adotiva colocou a sua disposição. Imaginemos uma mulher com as características da Marta, extremamente egoísta, cuidando de uma criança com necessidades especiais. Será que a menina teria se desenvolvido da maneira que o fez sendo criada por uma mãe adotiva carinhosa, zelosa e consciente de suas necessidades? Marta errou ao dar a criança, Helena errou ao tomá-la ignorando as leis e o desejo do avô, mas a vida acertou por elas.

Leo errou ao negar os filhos, mas retorna alguns anos mais velho, mais maduro em busca de corrigir seu erro, reconhecer, criar e ser responsável pelas crainças. Deveria esta chance ser negada ao pai? Mais importante ainda, deveria ser negado às crianças seu direito de ter uma pai presente e atuante? São todas questões que não têm respostas simples, prontas e acabadas. Um Juiz para julgar este caso deveria ter sensibilidade para não ferir a vida das crianças, a cadeia de amor que se formou em torno delas e a responsabilidade que cabe a cada um na criação dos filhos de Nanda.

Coisas de novela? Neste caso sim, mas quantos casos você conhece que são iguais ou bem parecidos com o drama mostrado na novela Páginas da Vida?

3 comentários:

Águas da Vida disse...

Sao muitos casos que a ficçao vira realidade...
Excelente post Susan.
Big Kiss

eduardo disse...

Vou ser cruto e grosso: Para mim, quem é pai e mão são quem cuidam e dão amor. Esta historinha de sangue é para boi dormir... Tantos pais e mães biólogicos que não estão ne aí para os seus filhos. Para mim, o verdadeiro amor é cativado e não dado.

Ziomal disse...

Very nice! I like it. great books foundation